
Pessoal das corridas dia 31/01/2009, véspera de ano novo, teremos a 85ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, no centro de São Paulo. Eu chamo essa prova de
“danada”, que junto com a
“marvada”, a maratona de São Paulo, e a
“bandida”, que é a meia-maratona de São Paulo fazem a “trinca anual de sofrimento” do portuguesinho. Essa é a prova pedestre mais antiga do Brasil e uma das mais antigas do planeta, sendo uma das poucas que forma disputadas ininterruptamente. As inscrições eram feitas pelo site
www.yescom.com.br, limitada a 20.000 participantes e última taxa de R$ 80,00. O numeral e chip podem ser retirados nos dias 27, 28 e 29/12, das 09:00 às 19:00, e no dia 30/12, das 09:00 às 17:00 no Ginásio Poli Esportivo Mauro Pinheiro, localizado a Rua Abílio Soares, 1300, próximo ao Parque do Ibirapuera. A premiação é a seguinte: R$ 28.000,00; 2. R$ 14.000,00; 3. R$ 7.000,00; 4. R$ 5.000,00; 5. R$ 4.000,00; 6. R$ 2.000,00; 7. até 8. R$ 1.000,00. Vou te falar, com o dólar em baixa é uma premiação interessantíssima!
A largada masculina será às 16:47 em frente ao Masp (Avenida Paulista, 1578) e a chegada ocorrerá em frente ao prédio da Fundação Cásper Líbero (Avenida Paulista, 900). O percurso é o mesmo das últimas temporadas, com total de 15 quilômetros, metragem oficial desde 1991. Aliás, nesse ano o queniano Paul Tergat, em sua primeira participação no evento, registrou o recorde da prova, com 43m:12s. Depois disso, ele venceu mais quatro vezes (1996, 1998, 1999 e 2000) e é o maior vencedor da categoria masculina. A segunda melhor marca é do compatriota Simon Chemwoyo, com 43m:20s, em 1993. Pelo lado brasileiro, temos o Grande Marílson Gomes dos Santos – GMGS, com 43m:49s, estabeleceu o terceiro melhor tempo na prova, na sua vitória de 2003.
Entretanto na atualidade o cara é queniano James Kipsang Kwambai, o atual campeão, que já confirmou presença e vai atrás do bicampeonato. Kwambai tem um retrospecto recente bem interessante: venceu, em 13/09/2009, a meia-maratona de Roterdã, na Holanda, com 59m:09s; ficou em segundo lugar, 05/04/2009, na Maratona de Roterdã (perdeu o primeiro lugar por centésimos de segundo), com 2h:04m:27s, terceira melhor marca da história, perdendo somente para os recordes mundiais de Haile Gebrselassie, estabelecidos em Berlim. Falando em Berlim e Haile, em 28/09/2008, Kwambai ficou em segundo lugar, atrás somente de Haile que, na ocasião, bateu o recorde mundial. Nada mau não é mesmo?
Ano passado, além da vitória de Kwambai, também tivemos outro destaque: a despedida de Vanderlei Cordeiro, que terminou a prova com 52m:11s, em 102° lugar. "Com certeza foi a vitória (que eu nunca tive)", disse Vanderlei. “Vai ficar marcado não só para mim, mas também para todos os brasileiros, pois sei que contribui com a minha parte para o atletismo", arrematou o atleta. Outras curiosidades foram que não tivemos atletas brasileiros no pódio, fato que não acontecia desde 1998, e também a 11ª vitória do Quênia contra 10 dos brasileiros.
Pelo lado dos tugas temos as vitórias de Carlos Lopes em 1982, com 39m:41s (13,5km) e 1984 com 36m:43s (12,6km) e Manuel Faria em 1956, com 21m:58s (7,4km) e em 1957 com 21m:37s (7,4km). Recentemente tivemos o 2.037° lugar de Carlos Nadais, com 1h:10m:44s, no ano passado. Uma queda considerável no nível do atletismo português. Paciência...
A classificação oficial de 2008 foi a seguinte: 1. James Kwambai (QUE), 44m:42s; 2. Evans Cheruyot (QUE), 45m:15s; 3. Kiprono Chemwolo Mutai (QUE) , 45m:28s; 4. Joseph Marco (TAN), 45m:37s; 5. William de Jesus (COL), 45m:47s; 6. Nicholas Kiprutto Koech (QUE), 45m:42s. Já pelo lado da PlayTeam os melhores colocados foram: José Maria dos Santos, 1h:01m:32s; Marco Antonio de Oliveira, 1h:02m:19s; Leandro Mario da Silva, 1h:02m:25s; José Márcio Rodrigues da Silva, 1h:03m:35s; Reginaldo dos Santos Ilário Costa, 1h:04m:29s; Paulo Augusto Viana dos Santos (P.A.), 1h:06m:27s; Antonio Carlos Vieira, 1h:08m:51s.
Pois bem, vamos dar uma relembrada no percurso da “danada”:
1º e 2º km: se o corredor não sair no pelotão de elite, é muito difícil que ele consiga correr no ritmo desejado até o final do primeiro quilômetro. É muito provável que ele seja atrapalhado pela grande massa e por todo aquele monte de gente fantasiada e com faixas. É impressionante como se vê de tudo por ali. Este ano provavelmente teremos muitos “Obamas” e outros personagens mais! Completa-se o primeiro quilômetro já na famosa Av. Consolação, bem em frente à Faculdade de Belas Artes. Começa então a descida de dois quilômetros entre ela e a também tradicional Av. Ipiranga.O velho ditado diz que, “para baixo todo santo ajuda”, mas deve-se descer com bastante cuidado para evitar o desgaste excessivo que poderá sentir mais para frente.
3º e 4º km: descemos a Avenida Ipiranga, passamos em frente a Praça da República e seguimos pela Av. São João. São mais dois quilômetros de descidas, que deixam a falsa impressão que a prova é a maior moleza. Todo cuidado com a empolgação excessiva é pouco, pois há muita prova pela frente.
5º km: um pouco depois da entrada do Elevado Costa e Silva começa a parte de subida da prova. Para quem não poupou energias ou não costuma treinar em subidas pode começar a sentir o grande problema aqui!
6º km: ainda no Elevado, vale lembrar que este trecho não tem muita sombra e o calor pode atrapalhar. Boné é bem vindo.
7º km: aqui o corredor encontra a rua Margarida e outras pequenas ruas cheias de curvas, além de um pedaço da avenida Pacaembu. Mas logo vêm mais uma subidinha considerável.
8º e 9º km: na avenida Norma Gianalti e avenida Rudge, o corredor consegue recuperar um pouco o fôlego já que é um trecho mais plano, porém com pouca sombra.
9º e 10º km: ainda na avenida Rudge, chegamos a um ponto bem crítico, que é o Viaduto Rudge. É um dos piores trechos devido à inclinação e falta de sombras. Muita gente diminui o ritmo por ali e depois não consegue mais recuperá-lo. Muito se fala da subida da Brigadeiro, mas este é um dos trechos que não pode ser menosprezado.
11º e 12º km: Esse trecho passa bem pelo centro de São Paulo. No Viaduto do Chá encontramos mais uma pequena subida que termina em uma das mais tradicionais faculdades de Direito do país, a São Francisco.
13º e 14º km: finalmente chegamos a tão temível subida da Av. Brigadeiro Luis Antônio, onde para os profissionais normalmente as primeiras colocações são definidas e para os amadores, começa o maior desafio. São praticamente 2,5 quilômetros de subida.
14º e 15º km: continuamos subindo e alcançamos o trecho de subida mais íngreme da prova quando passamos por baixo do Viaduto Treze de Maio, onde o corredor pergunta várias vezes para si mesmo o que está fazendo ali. Porém, o bom deste trecho é que tem muita sombra e muita gente incentivando e lá você sabe que falta pouco para terminar.Finalmente alcançamos a parte plana da Brigadeiro ao som de milhares de gritos e assobios, onde o corredor já pode imaginar o que o espera 500 metros a frente. Curva da Brigadeiro com a Paulista e lá está a tão esperada faixa de chegada. Arquibancadas lotadas dos dois lados da avenida, pessoas gritando e vibrando, fogos de artifício, pose para chegada, e finalmente: missão cumprida.
Alguns choram, se abraçam, comemoram e dão risada sozinhos com a gostosa sensação de dever cumprido. Outros terminam dizendo que nunca mais voltarão, mas passados alguns minutos já se pegam fazendo planos para a próxima edição!