A largada se deu em frente à prefeitura, na Rua Progresso, 759, e estava prevista para às 16:00, mas atrasou. Não sei quanto tempo, mas atrasou. A premiação na geral foi assim: 1º R$ 350,00; 2º R$ 250,00; 3º R$ 150,00; 4º R$ 100,00 e 5º R$ 50,00, mais troféus. Os três melhores em cada categoria receberam troféus e melhor colocado R$ 50,00.
Pois bem, cheguei a Francisco Morato sem dificuldade, e por minha negligência, não anotei o local exato da largada. Perguntei por toda cidade e ninguém tinha a mínima noção do evento. Num dos postos de gasolina, o frentista me afirmou que diversas outras pessoas fizeram esse mesmo questionamento e, no entanto, ele não pôde ajudar. Detalhe, a largada era a uns 300 metros do tal posto. A chuva caiu durante o trajeto à cidade, mas no horário da largada somente garoava.
Estava tão estressado que esqueci o cronômetro. Estacionei por perto e saí em disparada para retirar meu chip e numeral e, graças ao atraso, consegui alinhar a tempo. Primeiro saiu o feminino, pouco depois o masculino. O curioso é que quando da saída do feminino, saímos, os homens, passamos pelo tapete de largada e nos posicionamos uns metros adiante e... esperamos a nova largada. E aí? E essa passagem pelo tapete? Vai entender.
Eu, sem cronômetro e sem a marcação do portal de chegada, já tive indícios que algo não daria tão certo nesse domingo. Já corri de manha, de tarde e de noite. Já corri em subida, em plano e em morros. Já corri na chuva, nos sol, e com tempo nublado. Mas domingo à tarde, em pirambeiras, e com chuva ainda não. Por um lado seria bem... inusitado, mas havia muitos “inusitados” a me esperar.
Estiquei o pescoço na baia de largada e verifiquei que não tínhamos nem próximo a 150 corredores. Nem “forçando” chegávamos a esse montante. Como eu não estava disputando nada, não fez qualquer diferença. Um dos corredores me alertou que havia uma descida em terreno barrento no final que era para eu tomar cuidado. Se esse fosse o problema estava tudo resolvido, pensei eu.
Um dos problemas foi que não havia segurança no percurso, dois guardas bem que tentaram segurar alguns metros, mas a quase totalidade foi disputando com os veículos as posições no asfalto. Eu, que corro com cabeça baixa e desligada, bati na lateral de um carro que trafegava em sentido contrário. Dei uma pirueta de 360 graus e continuei minha batalha. Hilário. Nem pra xingar o motorista tive ímpeto.
SE FOSSE SÓ ISSO... mas o pior do pior era mesmo o percurso. Já tenho a "bandida" (SS), a "danada" (meia SP) e a "marvada" (maratona SP). Esse evento inspirou uma nova categoria de provas: “matadora”. Desde a minha tenra estrada de pseudo-pré-corredor-iniciante tenho outras duas: Corrida de Natal de Cotia e Corrida Pedestre de Jandira. Agora temos a Corrida de Francisco Morato. São subidas e descidas íngremes e umas sobre as outras. Ainda bem que são só 9km. Durante o trajeto o “incentivo” dos cidadãos moratenses eram fazer piada com os corredores. Era tudo que precisava: bordoada no físico e chibatada no emocional.
A marcação de quilometragem começou no sexto quilômetro, ou seja, no final, e mesmo assim pintado no chão. Para piorar na chegada foram dados aos corredores água, água e mais... águas. Para finalizar mais um pouco d’água. Durante o trajeto tivemos dois postos de... água. Tudo bem que é uma prova bem simples, sem patrocínio, exceto a secretaria de esportes da cidade. Acho que uma fruta daria para se ofertar aos guerreiros. A camiseta era de malha e a medalha foi de “honra ao mérito”. Uma prova dura de correr e dura de acabar, que leva o combatente a pensar; “que estou fazendo aqui?”.
Essa “matadora” vai total contraposto à corrida de Barueri, também gratuita, mas deu oportunidade à muitas pessoas a ter contato com o esporte. Tenho comigo que a secretaria de esportes deveria dar mais publicidade ao evento, melhorar a segurança dos corredores, ajustar a marcação de quilômetragem e oferecer uma fruta ao final da prova. Não daria muito custo, acho até que daria retorno exponencialmente maior. Daria um salto enorme na estrutura e atrairia mais pessoas. Tudo bem que, pelo que vi, a cidade tem inúmeras carências, mas aniversário da cidade é evento importante. Não sei meu tempo, acabei cansado e com fome... Ano que vem estou de volta.















