
Pessoal das corridas dia 26/09/2010 tivemos a segunda edição da Meia Maratona das Pontes, Santo Amaro, zona sul da capital paulista. As inscrições eram feitas pelo sítio
www.ativo.com, com última taxa de R$ 100,00 (2009- R$ 70,00), com opção para 21km e 5km. A retirada dos numerais e chip foi na Feira de Esportes, no Hotel Transamérica, dias 23 e 24/09 das 14:00 às 22:00 e 25/09 das 10:00 às 18:00. Entretanto por afazeres nesses dias eu não retirei meu chip.
No sábado participei de eventos na Universidade, pertinente ao Dia Nacional de Responsabilidade Social. Fui para prova na espera de resolver com a organização.
Saí de casa com o tempo frio e chovendo a cântaros. Optei por seguir pela marginal dos rios Tiête e Pinheiros, que foi muito rápido e tranqüilo (comparado com o estrago que a chuva fez em Sampa), entretanto não tive como atravessar para o outro lado do rio. Assim busquei estacionamento nas proximidades da ponte Transamérica. Dei-me mal... Não havia ruas transversais, nem mesmo locais públicos para estacionar. Resultado: a viatura ficou a pelo menos 1km da ponte Transamérica. Consequentemente as coisas já haviam começado a dar errado.
Peguei meus ‘badulaques’ e sai correndo para a concentração, sendo que ainda teria que resolver o caso da falta de chip. Estava atravessando a ponte Transamérica quando escutei a horda de corredores em sentido contrário. Saltei (literalmente) para fora do asfalto e continuei na correria pelas laterais destinada aos pedestres. A lateral da ponte é estreita e invadida por arbustos, daí o portuguesinho ter saído com as pernas arranhadas. (Será que ninguém - Administração Pública - vê esse descaso. Esse espaço não serve para pedestres!). Informação daqui e dali e encontro o colega Djackson, garoto corredor dos bons, que me deu as dicas corretas. Na concentração procuro alguém da organização e nada. Estava para desistir quando alguém me indicou a pessoa responsável.
O primeiro contato me abateu um pouco:
“Não dá para fazer nada...”. Esperei alguns minutos debaixo de um toró daqueles, que me esfriou a cabeça. Quase para desistir (ou correr de
pipoca-paga. Existe isso???) quando a mesma pessoa da organização me entregou numeral e chip de outro corredore que não veio. Parece-me que era de tal de ‘Patrícia’. Também pudera, já havia 20 minutos de prova! Rapidamente amarrei o chip e fui largar. Cruzei a linha de largada exatamente com 23 minutos de prova. No contra fluxo vieram os vencedores dos 5km. Hilário!!!
Isso deu alerta a uma pessoa do apoio que ordenou o encerramento da largada. Bom, quem iria largar essa hora? Só tinha eu de português, pô! Mais um erro do portuguesinho. Havia mais portugueses na prova, e de primeiríssima linha!!!
Explico. No começo da prova fui ultrapassado por dois gajos com dizeres “Portugal” às costas da camiseta. Nem em sonho conseguiria epararelhar com eles. Pensei em trocar as camisas como no futebol, mas os caras sumiram na poeira, digo na chuva. Água não faltou, nem vinda de cima, nem no asfalto. A chuva continuou apertando. Ano passado o colega Marcelo Jacoto apelidou a prova como “Meia Maratona dos Túneis”, com a mudança do percurso a prova passou a percorrer as pontes Transamérica, João Dias, Morumbi, Estaiada e Ari Torres. Agora sim a prova fez jus ao nome.
Com a mudança do clima, poderíamos batizá-la de “Meia Maratona das FONTES”, tamanho o dilúvio que caiu na região. O próprio nível do rio Pinheiros estava muito alto.
Devido o tumulto para retirar o chip e numeral saí com a parte de cima do abrigo. Eu já sofro de calor constante, e correndo com manga comprida e agasalho por cima, era bem estranho para mim. Com numeral de ‘Patrícia’ a prova estava fadada a ser uma corrida ‘patricinha’ (no ofense...). Desanimado no começo, por correr sozinho (fora os dois gajos), fui naquela de
“ver como é que vai, para ver como é que fica”. Cruzei os 10km em 52 minutos (2 minutos acima do par – 50 minutos com 5:00m/km), alto para caramba. Pronto, parecia fadado a um fim de semana daqueles, com tudo dando errado. Cruzei a arca dos 15km em 1h:21m, piorando ainda mais o pace (6 minutos acima do par para expectativa de 1h:15m). Daí tive uma idéia daquelas.
Como estava vestido com agasalho do abrigo,
no bolso tinha meu MP3, com carga máxima de AC/DC. Não deu outra, já que era para me divertir liguei o aparelhinho e fui curtindo o resto da prova. E não é que a coisa começou a andar (a “coisa” pode ser tratada como eu mesmo – kkk!). Recapitulando: perdi 2 minutos nos 10km (52m – 50m esperados); depois perdi mais 4 minutos em 5 km (15km à 1h:21m – 1h:15m esperados), acumulando 6 minutos de perda. Fechei a prova com 1h:52m, com 7 minutos acima do par (sobre 1h:45m esperados para pace médio de 5:00m/km), ou seja, nos últimos 6 km restantes perdi somente 1 minuto.
Desse jeito vou correr a maratona de São Paulo, com carga suplementar de gel e AC/DC!!!
Para quem nem ia correr, por estar sem chip; para quem nem conseguiu chegar no horário; para quem correu todo agasalhado e encharcado; para quem correu boa parte da prova sozinho sem incentivo algum, fiquei razoavelmente contente. Tudo isso devido a ‘teimosia’ lusa de não arredar pé até solucionar o problema do chip e também pela boa alma brasileira de se condoer com problema do próximo.
Agradeço a Gayotto pelo tratamento que tiveram comigo. Hoje em dia acho que somente a Corpore tem esse tratamento com os corredores. O resto é ‘pão-pão, queijo-queijo’. E olha que nem o pão e nem o queijo são lá grande coisa.
Pois bem, depois de tecer loas à organização, vamos aos fatos. Achei a taxa de inscrição um pouco ‘salgada’, decerto culminou com a opção de muitos em correr a prova no Pacaembu (que também não é barata...), mas na capital paulista não havia muitas opções para o domingo. No meio da prova houve distribuição de isotônico, mas acho que o mais adequado para prova mais longa seria um gel de carboidrato (acho eu...). A camiseta me pareceu bem feita, não a vi de perto, pois ela foi entregue junto com o chip e numeral, que não retirei nas datas aprazadas. Por ser branca e por estar chovendo, a camiseta tornou-se transparente durante a corrida. Azar dos ‘barrigudos’ como eu...
Quanto a termos 2.000 participantes na prova, como alardeou a organização, não percebi no ‘olhômetro’ tal público, aliás a chuva assustou muitos, assim PODE SER que tivéssemos quase 2.000 inscritos, mas correndo não tivemos não. O pequeno guarda-volumes nem teve muito uso. Ao final recebi uma medalha, que me agradou, duas barrinhas de ‘biscoito recheado’, outro frasco de isotônico. Também tivemos à vontade: sanduíche, maçã e bananas. Distribuíram também um pacotinho com mistura de recuperação de fadiga, como um punhado de vitaminas e sais minerais (não sei como qualificar o brinde). Alguns reclamaram do preço do estacionamento (falaram em R$ 24,00!).
Pois é isso pessoal,
com esse portuguesinho participando até jogo de palitinho vira festa, com tantas trapalhadas... E por falar em portuguesinho, se eu fiz feio, outros lusos fizeram bonito. Junto com a prova de meia maratona tivemos o 3º Campeonato Mundial INAS-FID, uma disputa entre atletas com deficiencia intelectual.
A seleção portuguesa de Meia Maratona da ANDDI-Portugal participou do evento e sagrou-se campeã por equipes. E não foi nada fácil. Por falha da organização e/ou dos treinadores os quatro líderes da prova e favoritos para vencer: o sul-africano Mncedi Khanti, o brasileiro Giovanni Camilo e os portugueses Paulo Pinheiro e Antonio Soares, seguiram inadvertidamente os atletas da prova de 5kms. Entretanto como a pontuação de cada corredor pesa no cômputo da disputa por equipes, esses atletas, com exceção do sul-africano que abandonou, retornaram e completaram a prova, entretanto não conseguiram alcançar os ponteiros.
Fica aqui o elogio aos ‘lusos’, como esse pobre escriba, que ‘envergam, mas não quebram’. Parabéns a esses guerreiros! E contrapartida, aqui no Brasil, sequer foi divulgado o ocorrido, que me leva a crer que foi a organização e treinadores (lusos, brazucas e africanos) que não se compuseram a contento.
Pois bem, eis os guerreiros que participaram da prova, sendo que até presente momento os resultados oficiais não foram divulgados:
. Os tempos do feminino então não foram sequer divulgados extra-oficialmente. A marca da atelta portuguesa só consegui na imprensa em Portugal.