
Pessoal das corridas, dia 19/06/2011 participei da minha quinta “marvada” XVII Maratona Internacional de São Paulo, na capital paulista. As inscrições eram feitas pelo sitio
www.maratonadesaopaulo.com.br, com taxas de 50,00 a R$ 65,00, dependendo da data de inscrição, e com opção para maratona, corrida de 25km, 10km e caminhada de 3km. A retirada do chip e numeral se deu entre os dias 16/06 e 18/06 no ginásio poliesportivo Mauro Pinheiro, Rua Abílio Soares, 1300, ao lado do Parque Ibirapuera. A premiação foi de primeira linha, superando a do ano passado em muito, compare: 1° R$ 30.000,00 (R$ 18.000,00); 2° R$ 13.000,00 (R$ 8.000,00); 3° R$ 9.000,00 (R$ 6.000,00); 4° R$ 7.000,00 (R$ 5.000,00); 5° R$ 4.000,00 (R$ 3.000,00); 6° R$ 4.000,00 (R$ 1.800,00); 7° R$ 3.000,00 (R$ 1.500,00); 8° R$ 2.000,00 (R$ 1.300,00); 9° R$ 1.500,00 (R$ 1.200,00); 10° R$ 1.000,00 (R$ 1.000,00); com um bônus ao vencedor da prova que terminasse abaixo de 2h:10m:58s de R$ 20.000,00 (R$ 20.000,00); 2h:09m:50s de R$ 25.000,00 (sem valor em 2010).
O recorde masculino na prova pertence a Vanderlei Cordeiro de Lima, com tempo de 2h:11m:19s, estabelecido em 2002 (agora quem me explica essas marcas com bonificação?)
Esse semestre havia desistido de participar da edição de 2011, devido estar muito fora de forma. Perdi mais de quatro quilos, predominantemente de massa magra, e sem treino a meses, esse histórico por si só já era motivo suficiente. Até mesmo a escrita no blog ficou a desejar. Resolvi participar 4 dias antes do evento. Na retirada do numeral e chip foi a deixa para atiçar ainda mais o combatente. Não adianta, o clima de maratona é diferente de todas as demais provas, mesmo na minha situação. No sábado separei as tralhas e fiquei na expectativa. Acordei cedo e voltei a confirmar tudo de novo. Tomei um bom café da manhã e parti. Cheguei ao parque Ibirapuera, e evitando a operação dos famigerados flanelinhas estacionei a viatura a bons quarteirões de distância.
Cheguei na tenda da Corre Brasil e todos já haviam ido. A organização disponibilizou ônibus a todos para chegada à ponte Estaiada. Aliás, quem efetivamente disponibilizou o transporte foi a prefeitura de São Paulo. Salvo engano esse transporte era custeado pelo a organização, assim ‘socializaram’ esse prejuízo com o povo, e ‘aliviaram’ a Yescom dessa despesa. Fica aí uma boa dica para averiguação. A largada marcada para às 08:25 na avenida jornalista Roberto Marinho atrasou alguns minutos, mas eu estava na conversa com os colegas e nem reparei o quanto, mas percebi algumas pessoas reclamando. A chegada, para todas as opções de distância, no parque Ibirapuera.
Pois bem, chegando ao local de largada vi que a tal separação por tempo foi para o espaço. Apesar, que eu nem precisava de nada disso, pois fui para completar a prova num treino de penalidade. Estava já com Rodrigo, que ia também para maratona, e encontrei o Luis, Laércio e Juliana, que estavam inscritos em outras distâncias. Largamos e a muvuca de sempre no começo, e também nem era momento para acelerar. A coisa foi boa, até quase a metade, 10km -->59m; 20km --> 2h:00. Aí meus amigos, era joelho queimando e a frontal da coxa endurecendo. Sem ao menos subir escadas em mês e sem treinos a mais de 3 meses, não havia a mínima possibilidade de ser melhor que isso. Terminei em 5h:36m, na base da teimosia, pois diversas vezes pensei e largar esse troço e ir para casa. Essa foi a minha pior corrida de todas... Bolhas nos dedos dos pés, mas pelo menos dessa vez os pés ficaram inteiros, haja vista que não consigo correr de meias (mais uma idiossincrasia, de tantas, desse luso).
A organização disponibilizou isotônicos durante o percurso, mas pelo menos um estava já encerrado. Também me informaram que havia gel, mas nem cheiro do distinto eu percebi. Aqui começo a fazer alguns reparos aos colegas que não gostam da organização da Yescom, mas estão vendo com os óculos errados. O corredor para a Yescom é somente um figurante para a televisão, ela não tem qualquer comprometimento com os atletas, assim exigir dela um cuidado com o corredor é ingenuidade. Por isso ela cobra barato (relativamente é mais preciso). Comparação: Maratona de Boston: US$110,00; Maratona de Chicago US$ 110,00; Maratona de Paris € 90; maratona de Berlin € 100. Esses valores foram pegos aleatoriamente. A inscrição para Maratona de São Paulo começou com R$ 50,00, ou seja, € 22 ou US$ 31,00, isso contando que a moeda brasileira está supervalorizada! O corredor da maratona de São Paulo é um adendo no espetáculo “global”.
Entendo também que nem por isso pode a Yescom tratar os corredores como “gado”, mas eu pelo menos já vou preparado, sei que vou por minha conta e risco. Levei meu saches de gel, meu isotônico (deixei no apoio oferecido pela Corre Brasil), o dilatador nasal (no meu caso tem que ser duplo!). Pelo menos esse ano melhorou “um pouquinho” o kit de largada com coisas de corredor: uma viseira, um repositor de proteína em pó, algumas barrinhas e torrones. Em contrapartida já vi maratonas no exterior que até um calção dão ao inscrito, mas também é aquele valor da inscrição, próximo de R$ 250,00. Logo, na minha opinião pagamos pelo que temos: pouco por quase nada...
Um reparo que faço também é o percurso. Não acredito que numa cidade tão grande como São Paulo, nos vejamos obrigados a perambular pela USP. Está na hora de alguma criatividade nisso. Outras maratonas aproveitam a corrida para agraciar os corredores com a beleza da cidade, mas São Paulo se nega, não porque não tenha, mas há acomodação do poder público que, como vimos, dispensou recursos públicos ao evento (ônibus da prefeitura), mais também devemos apurar melhor e confirmar (ou desconfirmar) essa desconfiança.
No lado “profissa” da coisa só reforço a vitória do queniano David Kemboi venceu a prova e estabeleceu 9 X 7 para o Quênia contra os brasileiros. O resultado oficial ficou assim: 1. David Kemboi Kiyeng (QUE), 2h:11m:53s; 2. Haylu Abebe Dagaga (ETI), 2h:13m:12s; 3. Musenduki Mohamedi Ikoki (TAN), 2h:18m:43s; 4. Laelson da Silva Santana (BRA), 2h:20m:15s; 5- Jair José da Silva (BRA), 2h:21m:00s; 6. Marcos Alexandre Elias (BRA), 2h:21m:43s; 7. João Marcos Fonseca (BRA), 2h:22m:24s; 8. Eliésio Miranda da Silva (BRA), 2h:22m:44s; 9. Gladson Alberto Silva Barbosa (BRA), 2h:23m:13s; 10. Paulo da Silva (BRA), 2h:23m:15s.
Os colegas que consegui peneirar foram: 142. Leandro Mario da Silva, 3h:10m:30s; 264. Paulo Augusto Viana dos Santos, 3h:24m:51s; 478. Rodrigo Santos Nunes, 3h:37m:56s.
Achei melhor também poupar os leitores com os “choros lusitanos” e deixar para adiante minhas impressões sobre a prova, ainda mais sendo ela a pior das péssimas. Pretendo voltar aos treinos essa semana, pois o luso aqui tem uma composição músculo-esquelética interessante: para de treinar e... emagrece. Já foram quase 5 quilos e a circunferência abdominal continua se manifestando. Daqui para final do mês é só USP, aí aproveito para fazer uns treinos enquanto estudo. Até mais!
Curiosidade: em 2010 a “marvada” calhou com a conquista pelo Santos do campeonato paulista. Em 2011 a “marvada” foi mais sofrida que todos os anos anteriores e Santos venceu a Taça Libertadores. Pelo visto no final do ano vou correr descalço a maratona de Yokohama, no Japão. Haja coração (e pernas...)!!!